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Entrevista Edgar Morin: é preciso educar os educadores


Edgar Morin, sociólogo e filósofo francês, retorna ao Brasil para conferência magna no evento Educação 360, que acontece no Rio de Janeiro, nos dias 05 e 06 de setembro, e conta com outros convidados como Pierre Lévy e Shukla Bose. Em entrevista ao O Globo, Morin critica o modelo ocidental de ensino e diz que o professor tem uma missão social, por isso, segundo ele, “é preciso educar os educadores”. Leia abaixo:

O Globo: Na sua opinião, como seria o modelo ideal de educação?

Edgar Morin: A figura do professor é determinante para a consolidação de um modelo “ideal” de educação. Através da Internet, os alunos podem ter acesso a todo o tipo de conhecimento sem a presença de um professor. Então eu pergunto, o que faz necessária a presença de um professor? Ele deve ser o regente da orquestra, observar o fluxo desses conhecimentos e elucidar as dúvidas dos alunos. Por exemplo, quando um professor passa uma lição a um aluno, que vai buscar uma resposta na Internet, ele deve posteriormente corrigir os erros cometidos, criticar o conteúdo pesquisado.

É preciso desenvolver o senso crítico dos alunos. O papel do professor precisa passar por uma transformação, já que a criança não aprende apenas com os amigos, a família, a escola. Outro ponto importante: é necessário criar meios de transmissão do conhecimento a serviço da curiosidade dos alunos. O modelo de educação, sobretudo, não pode ignorar a curiosidade das crianças.

Camila e as Conferências de Sustentabilidade: um caso da vida toda


Ela nasceu em 1972, ano em que foi realizada a Conferência de Estocolmo, o primeiro evento internacional a encarar os problemas ambientais a partir de uma visão global. Em 1992, a jovem estudante de 20 anos embalada pelo emergente discurso ambiental que chegava ao Brasil, decidiu participar da Cúpula da Terra, um dos maiores encontros de líderes mundiais da história. Hoje, aos 40 anos, a mãe e professora traz a sua filha para participar dos processos para a Rio+20.


Essa é Camila Tenório Cunha, professora de educação física paulista, residente do município de São João da Boa Vista, que tem sua história de vida intimamente entrelaçada com questões ambientais. Para a professora, meio ambiente, mais do que um assunto da moda, é um tópico transversal, que está ligado a diversos outros pilares da sociedade, e por essa razão deve estar inserido no dia-a-dia das pessoas.

O Envolvimento e a Família

“A gente respira política em casa”. Camila e Laís

Questionada sobre como a questão ambiental entrou em sua vida, Camila fala sobre como ainda estudante da Unicamp envolvida na discussão política acabou chegando na Eco92. “Na verdade, vim participar de um evento estudantil e acabei aproveitando a coincidência.” Sobre a militância ambiental, afirma: “discutir ecologia para gente era discutir democratização. A partir do momento em que conseguíssemos fazer que o Brasil realmente se tornasse democrático, a gente conseguiria colocar a agenda da ecologia em pauta, dando espaço para o diálogo entre governo e sociedade civil”.
A família de Camila sempre teve interesse por questões políticas. “A gente respira política em casa”, ela afirma, e orgulhosamente fala de sua participação das Diretas Já. “Eu bati panela pelas diretas já. Fui naquela passeata, vivi aquele momento, fui cara pintada.”
Não é por coincidência, então, que todo esse senso de justiça e responsabilidade com o meio ambiente foi passada de mãe para filha. Para Camila, como mãe, ela deve apresentar essas discussões a sua filha, Laís Cunha, de 16 anos, criando nela o que chama de “sensibilidade coletiva”.
“A angústia de minha filha sempre foi com questões relacionadas ao meio ambiente. Com 10 anos, ela fez uma carta para o embaixador Canadense no Brasil sobre a matança de focas naquele país. Então reuniu 300 assinaturas na escola e enviou o abaixo-assinado à Brasília. Numa manhã, algumas semanas depois, recebemos uma ligação do próprio embaixador indicando que aquilo não acontecia mais.”
Para Camila, há hoje um grande avanço no que se refere à luta ambiental, e a participação dos jovens tem sido muito importante neste processo. “Eu acho que muita coisa melhorou. Em minha época, não tínhamos acesso a toda essa tecnologia – nem pensávamos nisso. Os jovens de hoje têm muito mais possibilidades, com ferramentas criativas e acesso à informações através da internet e redes sociais.”
Na instituição onde ensina, o Instituto Federal de São João da Boa Vista, a professora passa os mesmos ensinamentos aos seus alunos, através de diversas atividades que são integradas com outros professores.
Expectativas para a Rio+20

Camila e Laís irão participar, também, da conferência oficial da ONU, que começa no próximo dia 13 com a última rodada de negociações antes dos dias mais intensos de discussão – os que terão a participação dos representantes dos países-membro. Mesmo consciente sobre as dificuldades das negociações, Camila mantém o pensamento positivo. “Eu percebi que algumas coisas já vieram prontas, mastigadas, mas o que me deixa mais aliviada é saber que, ao mesmo tempo, os jovens perceberam a falta de compromisso e estão questionando essa lógica.”
Para a professora, os jovens presentes na Youth Blast – Conferência dos Jovens para a Rio+20 têm, surpreendentemente, realizado discussões profundas sobre meio ambiente, de uma forma que englobe social e econômico, sem perder a essência. “Não é a discussão superficial sobre ecologia que tinha em minha época da juventude – é muito mais do que isso. É algo que envolve o social, econômico, cultural. Não é, por exemplo, falar da extinção do mico-leão-dourado e só, mas sobre a falta de peixe para uma colônia de pescadores ou o acesso a água e falta de saneamento na cidade”.
Por fim, completa “o mundo da futilidade e consumismo te faz infeliz. Mas estar aqui com minha filha me dá muita esperança”.

André Trigueiro

André Trigueiro é jornalista com Pós-graduação em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ, Professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ, autor do livro Mundo Sustentável - "Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação" (Editora Globo, 2005), Coordenador Editorial e um dos autores do livro "Meio Ambiente no século XXI", (Editora Sextante, 2003).
Desde 1996 vem atuando como repórter e apresentador do "Jornal das Dez" da Globo News, canal de TV a cabo onde também produziu, roteirizou e apresentou programas especiais ligados à temática socioambiental. Pela série "Água: o desafio do século 21" (2003), recebeu o Prêmio Imprensa Embratel de Televisão e o Prêmio Ethos - Responsabilidade Social, na categoria Televisão. Pela série "Kioto: O protocolo da Vida" (2005) recebeu o título de "Hours Concours" no Segundo Prêmio CEBDS de "Desenvolvimento Sustentável". Pela série "A nova energia do mundo" (2005) , recebeu o Prêmio Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia 2005, oferecido pela Eletrobrás e pela Petrobras.

Marina Silva - Grande Personalidade Ambiental

Uma grande personalidade do meio ambiente diga-se de passagem. Sua trajetória política e de vida é sem dúvida um grande exemplo para nós e o mundo.
Levada à atividade política e social pela Igreja Católica, Marina acabou por ter contato com obras marxistas quando entrou na universidade. Ali, entrou para o Partido Revolucionário Comunista (PRC), que se abrigava no Partido dos Trabalhadores, sob o comando do deputado José Genoíno. Formou-se em História pela Universidade Federal do Acre. Foi professora na rede de ensino de segundo grau e engajou-se no movimento sindical. Foi companheira de luta de Chico Mendes e com ele fundou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Acre em 1985, da qual foi vice-coordenadora até 1986. Nesse ano, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) e candidatou-se a deputada federal, porém não foi eleita. Em 1988, foi a vereadora mais votada do município de Rio Branco, conquistando a única vaga da esquerda na câmara municipal. Como vereadora, causou polêmica por combater os privilégios dos vereadores e devolver benefícios financeiros que os demais vereadores também recebiam. Com isso passou a ter muitos adversários políticos, mas a admiração popular também cresceu.

João Paulo Capobianco - Personalidade Ambiental

João Paulo Capobianco

Biólogo, fotógrafo e ambientalista especializado em Educação Ambiental pela Universidade de Brasília, João Paulo Capobianco foi fundador e primeiro presidente da Associação em Defesa da Juréia, fundador e superintendente da Fundação SOS Mata Atlântica, membro da Coordenação Nacional e da Secretaria Executiva do Fórum das ONGs Brasileiras preparatório para a Rio 92, representante das entidades ambientalistas de São Paulo no Conselho Estadual do Meio Ambiente e membro do Grupo de Trabalho Interministerial e do Grupo Consultivo do Governo Federal sobre Diversidade Biológica. Atualmente, é secretário executivo do Instituto Sócio-ambiental, membro da Coordenação Nacional da Rede de ONGs da Mata Atlântica, membro do Conselho Administrativo da Fundação SOS Mata Atlântica, representante do governo do Estado de São Paulo na Câmara Técnica Temporária para Assuntos da Mata Atlântica do Conselho Nacional do Meio Ambiente e membro da comissão coordenadora do Programa Nacional sobre Diversidade Biológica.

Fonte:http://www.tecsi.fea.usp.br/eventos/Contecsi2004/BrasilEmFoco/port/autores/jcapobi.htm

 
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